Vale roubar o tema do chefe?
Vender livros no Brasil é uma tarefa intrincada. Aliás, desconfio que vender qualquer coisa também o seja, mas eu vendo livros e, portanto, posso falar melhor sobre eles. O mercado livreiro, a quem estou encarregada de fazer os livros da Thomas Nelson chegar em abundância, ganhar exposição privilegiada
nas prateleiras, pilhas nas mesas e vitrines e, Deus querendo, vender muito(!) ,geralmente recebe com frieza qualquer informação sobre uma novidade que chegará ao mercado.
Embora, na posição de vendedora, isso me incomode, não os censuro. Curto e, grosso modo, dizem que são cerca de 2.000 novidades por mês que as mais de 700 editoras em operação colocam no mercado. Ou melhor, tentam colocar pois esta avalanche de livros naturalmente passa por uma peneira - dos compradores das livrarias - e, depois da seleção não tão natural assim, menos da metade disso vai parar nas prateleiras das lojas. Com peneira e tudo, é livro que não acaba mais. Todos os meses!
Daí é difícil empogar esta turma. Não há um só assunto sobre o qual não existam dezenas ou centanas até de outros livros já escritos. Os autores consagrados já têm seu lugar no olimpo das livrarias e os estreantes, muitas vezes, são vistos com desconfiança. As campanhas de marketing, por serem muito parecidas, também não lhes enchem os olhos. E é difícil fazê-los prestar mais do que 2 minutos de atenção em torno de um projeto editorial.
Mas foi com gratíssima surpresa que, ao falar com vários compradores de livros sobre o próximo lançamento da Thomas Nelson - Investimentos Inteligentes, do Gustavo Cerbasi -, notei um interesse incomum, uma receptividade acima da média tanto com o livro quanto com o autor.
O projeto editorial me parece muito interessante - um tema super up-to-date escrito numa linguagem acessível mas com profundidade -, a relação custo x benefício é perceptível, o autor é campeão de vendas, mas foi esta sinalização, do entusiamo dos compradores, que mais me animou a participar desta ação de vendas que já nasce vencedora.
Agora, é esperar o livro ficar pronto, fazer bem nosso trabalho e, claro, contar com a mesma receptividade por parte dos leitores. A julgar pelas vendas dos outros livros do autor, esse não será um problema. As listas dos mais vendidos que o digam!







Oi Judith, muito bom seu texto. Cheguei aqui pelo blog da Mundo Cristão. Lá ele aborda essa questão do sucesso de um projeto editorial. Minhas perguntas/reflexões: Claro, sucesso e altas vendas meio que andam juntos, mas será que, para nós cristãos, esse é o único fator de se medir o sucesso de um livro? Um livro de baixas vendas (digamos algumas centenas ou poucos milhares) que vai parar nas Bibliotecas dos seminários e transforma a vide de alguns futuros pastores... isso é sucesso? Será que idéias como "uma vida vale mais que o mundo inteiro", relevância, contextualidade, teologia sólida, se igualam às vendas como fatores de sucesso? Se um livro tem todos os ingredientes acima é certo que venderá muito? E se vender pouco mesmo com todas as qualidades acima? Podemos considerá-lo um sucesso?
Questões... questões. Só hoje que eu descobri que a Thomas Nelson tá no Brasa. Pode? Vou visitar este blog mais vezes.
Posted by: Marcelo | 06/10/2008 at 18:38
O blog Da Sala dos Editores, de nossos amigos da Mundo Cristáo, destacou este post da Judith. Valeu!
http://tinyurl.com/69oghs
Posted by: Carlo Carrenho | 06/03/2008 at 14:33
Dica de Publishnews, entrei no Blog dos Editores. Muito gostoso para uma quinta-feira de Corpus Christi. Destaco o recado de Judith de Almeida, importantíssimo, fundamental! Não adianta escrever nem publicar "livro que não acaba mais", se não se considerar a "peneira dos compradores das livrarias". Os compradores DAS livrarias, entendo, são os que decidem comprá-los, das editoras. Há, contudo, ainda mais importantes, os compradores NAS livrarias, isto é, os leitores. Posso falar deles, porque fui colunista de livros no Jornal da Bahia (20 anos) e provocador cultural literário em A Tarde (12 anos), cobrindo feiras no Brasil e na Alemanha, criando o "Banco do Livro" e promovendo o "Prêmio Cabral" (cinco anos homenageando os editores dos livros mais vendidos, publicados no Brasil/clicar em "Prêmio Cabral" na página principal de www.adinoel.mottamaia.nom.br). Posso dizer que editores, livreiros, autores não podem fugir do respeito a essa peneira, que segue a lei da necessidade do consumidor. A velha lei da oferta e da procura. Nada há de novo no reino da Dinamarca!
Posted by: Adinoel Motta Maia | 05/27/2008 at 18:14
Muito bom este blog, muito bom ver o 'outro lado'.
Estou linkando vocês em dois de meus blogs:
Poesia Evangélica - http://poesiaevanglica.blogspot.com
Arsenal do Crente - http://arsenaldocrente.blogspot.com
Falando nisso, não seria oportuno a Thomas Nelson investir num título de poesia evangélica? Há uma lacuna no mercado - grande e antiga - que precisa urgentemente ser tapada. Uma excelente pedida seria uma Antologia com a poesia de Mário Barreto França.
Estou à disposição para qualquer ajuda e divulgação nesse sentido.
Shalom!
Posted by: Sammis Reachers | 05/22/2008 at 20:00